quinta-feira

Há um espelho e um reflexo

"É que depois de anos de verdadeiro sucesso com a máscara, de repente -ah, menos que de repente, por causa de um olhar passageiro ou uma palavra ouvida - de repente a máscara de guerra da vida cresta-se toda no rosto como lama seca, e os pedaços irregulares caem com um ruído oco no chão, Eis o rosto agora nu, maduro, sensível quando já não era mais para ser. E ele chora em silêncio para não morrer" Clarice Lispector 

Entre eu e ela
há um espelho e um reflexo.
Ela me pergunta o que vejo,
sorriso falso de um desesperado,
respiração profunda,
Ela permanece lá com o espelho e a pergunta.
Entre eu e o espelho...
há uma mentira,
espelho maldito,
defeituoso que tenta imitar os lagos calmos,
Essa deve ser a vingança de quem não pode ser natural.
O grito calado no sorriso de alguém que nem é, nem não é
Apenas uma imitação do mundo ao redor,
Meus olhos, minha boca.
Seus olhos, sua boca.
Destruído com a pergunta
O que você vê por trás da imitação?
Vejo o rosto frágil
de alguém que deveria ser forte.
A mentira fortaleceu a mentira
e deixou o rosto frágil que nunca cresceu.
Permita-me segurar a semente,
pois sem ela morrerei
como o ser de Clarice,
em silêncio.

(Para Bela Síol)

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