No escuro da madrugada, me acordo de súbito, nu, são os pássaros que cantam por trás das janelas, abafados por detrás do som do ar condicionado. E nessa escuridão, cheia de luz, mergulho em minha própria escuridão e tento levar um pouco da luz dos pássaros para lá.
O que eu sinto, por que sofro esse falso sofrer que de tão bem atuado já começa a me convencer e de fato me fazer sofrer. O que é, é o prazer da carne, não, não é, na verdade, não é só.
É mais o medo, eu acho, de acordar sozinho, nu em uma madrugada escura, mergulhar em um lago calmo porém totalmente escuro, onde se é chamado a descobrir o que há no fundo. Peixes, plantas e talvez um monstro do lago Ness, inventado para dar mais graça à um lago aparentemente sem graça.

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